O ultimo fogo subirá através daqueles olhos...
A casa assombrada caíra sob seus pilares...
Garotos cegos não mentem sentem um medo imortal...
Aquela voz era tão clara através de paredes rachadas...
Aquele grito ainda ecoa sob acordes distorcidos...
Perdido em sua ilusão atemporal, cavalga entre marés e desertos...
Não vai chegar a lugar algum além de sua imaginação...
Não são capazes de nos derrubar, não podem!!!
Hoje será o fim do acaso, um confronto do destino.
Espadas reluzentes lutam contra chamas...
Não há vitória. Não existe derrota. Não há fuga.
Há apenas o fim.
Acaba a esperança.
Vendavais carregam a fumaça do fogo na vila...
Tudo que um dia foi perdido, hoje volta.
Está de volta toda a perdição.
Estamos de volta ao recomeço.
E toda a vida se esvai numa goteira para um oceano já seco...
Total de visualizações de página
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Aquario do Deserto
E por um instante sentiu-se consciente, como há muito tempo não sabia o que era isso, sentiu uma estranha sensação... parecia estar tudo tão distante, parecia até que tudo estava se despedaçando antes mesmo que chegasse perto o suficiente para derrubar...
Sentia-se envolvido pelos prazeres de um mundo que não lembrava nem mesmo o caminho para chegar, mas sabia que toda volta era perplexa e cheia de nevoa... não sabia se iria voltar tão cedo, até porque nem sempre a estadia é tão ruim quanto parece.
Viajou daqui para lá. E de volta novamente. Como sempre, sem perder o rumo.
Os mesmos velhos lugares e ainda reencontra velhos rostos que não via, ou porque evitava, ou porque realmente não encontrava, mas agora há algo novo, diferente, parece um segredo que ainda não pode ser revelado.
E então, sente-se pronto para recomeçar vai se esforçar por algumas coisas. E pelo que disseram, muito do que está para acontecer pode durar para sempre... mas o pra sempre é instável. Então porque não aproveitar o que já existe. Ao menos enquanto dura...
Sentia-se envolvido pelos prazeres de um mundo que não lembrava nem mesmo o caminho para chegar, mas sabia que toda volta era perplexa e cheia de nevoa... não sabia se iria voltar tão cedo, até porque nem sempre a estadia é tão ruim quanto parece.
Viajou daqui para lá. E de volta novamente. Como sempre, sem perder o rumo.
Os mesmos velhos lugares e ainda reencontra velhos rostos que não via, ou porque evitava, ou porque realmente não encontrava, mas agora há algo novo, diferente, parece um segredo que ainda não pode ser revelado.
E então, sente-se pronto para recomeçar vai se esforçar por algumas coisas. E pelo que disseram, muito do que está para acontecer pode durar para sempre... mas o pra sempre é instável. Então porque não aproveitar o que já existe. Ao menos enquanto dura...
A Corrente
Ele queria acreditar, mesmo não conseguindo, parecia tão real quanto o que realmente não podia ver... horas, às vezes, não fazem o menor sentido, o tempo deixa de ser toda aquela incógnita indiferente do mundo... e tudo o que ele queria era poder estar longe, correr pra perto, é tudo tão confuso que mal sabe o que precisa descobrir a seguir...as opções aparecem como sonhos, sempre diferentes, sempre confusas, mas nada tão abstrato ou surreal quanto suas próprias duvidas de si mesmo...
Ele só precisava estar fora de si para entender o que se passou ao seu redor... às vezes precisa de um pensamento perdido, esquecido, para que tudo de novo se encaixe... mas tudo que um dia lhe pareceu perdido, hoje parece encaixar nos mais estranhos quebra cabeças que já viu. Pensa claramente em como um redemoinho podia cavalgar nas dunas do deserto espalhando a água do mar nas nuvens de poeira das fábricas abandonadas, essas imagens não explicam nada, mas as peças se encaixam como velhas conhecidas.
Mesmo que às vezes seja só uma luz... pode ser que o interruptor estava mal localizado, mas ele o encontra... sempre... tenta reconhecer as sombras e vultos que passam em sua mente, nada é tão real quanto o único rosto que pode ver com um mínimo de lucidez, nada faz sentido dentro de sua imaginação que um dia o declarou uma pessoa comum, hoje, está muito além disso e se sente só em seus próprios devaneios. Mas não seria tão complicado se não fosse tao simples. Não vai atrás de nenhum outro rosto, nada o faz perder o foco, nada vai lhe tirar do caminho que escolheu. Mas tem certeza que nunca mais vai voltar ao ponto de partida. Desistiu das glórias que um dia conquistou por uma chance de não ser mais lembrado, apenas isso.
E é claro, às vezes, toda noção se perde num suspiro. Tudo encontra uma razão na insensatez inexplicável de palavras soltas pelo mundo. Ecoando até chegar onde deveriam. Quando chegam, é que se tornam reais. Palavras cegam quando chegam. Cegam toda a luz. Cegam tudo que se pode deixar livre. Cegam até mesmo qualquer decisão. Mas nem tudo parece tão ruim...
...porque às vezes, basta um sorriso...
Ele só precisava estar fora de si para entender o que se passou ao seu redor... às vezes precisa de um pensamento perdido, esquecido, para que tudo de novo se encaixe... mas tudo que um dia lhe pareceu perdido, hoje parece encaixar nos mais estranhos quebra cabeças que já viu. Pensa claramente em como um redemoinho podia cavalgar nas dunas do deserto espalhando a água do mar nas nuvens de poeira das fábricas abandonadas, essas imagens não explicam nada, mas as peças se encaixam como velhas conhecidas.
Mesmo que às vezes seja só uma luz... pode ser que o interruptor estava mal localizado, mas ele o encontra... sempre... tenta reconhecer as sombras e vultos que passam em sua mente, nada é tão real quanto o único rosto que pode ver com um mínimo de lucidez, nada faz sentido dentro de sua imaginação que um dia o declarou uma pessoa comum, hoje, está muito além disso e se sente só em seus próprios devaneios. Mas não seria tão complicado se não fosse tao simples. Não vai atrás de nenhum outro rosto, nada o faz perder o foco, nada vai lhe tirar do caminho que escolheu. Mas tem certeza que nunca mais vai voltar ao ponto de partida. Desistiu das glórias que um dia conquistou por uma chance de não ser mais lembrado, apenas isso.
E é claro, às vezes, toda noção se perde num suspiro. Tudo encontra uma razão na insensatez inexplicável de palavras soltas pelo mundo. Ecoando até chegar onde deveriam. Quando chegam, é que se tornam reais. Palavras cegam quando chegam. Cegam toda a luz. Cegam tudo que se pode deixar livre. Cegam até mesmo qualquer decisão. Mas nem tudo parece tão ruim...
...porque às vezes, basta um sorriso...
As Sombras Do Teto
Ele ainda se lembrava... vagamente... do dia que perdeu...
Seus pensamentos não iam além de onde podia ver...
Não dava importância ao que era razão... mas isso nunca deu mesmo, não faria sentido prestar atenção nisso justamente agora...
Não deixou ninguém se aproximar... nem ao menos viu quem passou por você...
Não sabia dizer se era angústia, raiva, ou mesmo o que e onde sentia tamanha dor, não queria descobrir, só queria deixar o tempo passar e poder se levantar de novo, então, estendeu as mãos e ficou ali... numa suplica silenciosa, talvez seu orgulho seja grande demais para que aceite ajuda, ou apenas não saiba pedir... e jamais vai admitir seus erros tão banais. Sente-se numa cama de concreto, incomodado por estar ali, mas não muda a situação na qual se encontra. Tudo era tão mais simples antes.
Agora está preso no jardim de lamentações onde costumava ir. Mas ia sempre em segredo, nunca quis que ninguém no mundo soubesse que reclamava de seus próprios defeitos que nunca soube aceitar ou mesmo conciliar com qualquer qualidade que possui. E todos sempre o esperam voltar. Não pode aceitar que o apogeu já foi há algum tempo, nem ao menos pode entender que, o que quer que faça, sempre tem consequências, boas ou más. Sempre tem. Tudo hoje é tão estranho e dolorido, mesmo as boas memórias o machucam, o derrubam para um penhasco que por anos tentou evitar chegar perto, não há recompensa nesta queda, apenas a solidão.
E ele ainda Espera reconhecer um momento pelo qual possa dizer que vale a pena dar um passo para trás. Talvez ali do lado no meio da multidão, quem sabe? Pode existir algo que reencontre, mas não se lembra. Tudo é tão vago, mas tão cheio, contraditório. Nada é vazio em sua mente perturbada por um passado de erros que não quis admitir. Talvez um futuro nublado seja a melhor opção, porque o que se vê agora não é nada animador. Mas não vai desistir ainda da ideia insensata de que possa se perder de novo... e dar um novo começo para tudo aquilo que nunca chegou a acabar...
Seus pensamentos não iam além de onde podia ver...
Não dava importância ao que era razão... mas isso nunca deu mesmo, não faria sentido prestar atenção nisso justamente agora...
Não deixou ninguém se aproximar... nem ao menos viu quem passou por você...
Não sabia dizer se era angústia, raiva, ou mesmo o que e onde sentia tamanha dor, não queria descobrir, só queria deixar o tempo passar e poder se levantar de novo, então, estendeu as mãos e ficou ali... numa suplica silenciosa, talvez seu orgulho seja grande demais para que aceite ajuda, ou apenas não saiba pedir... e jamais vai admitir seus erros tão banais. Sente-se numa cama de concreto, incomodado por estar ali, mas não muda a situação na qual se encontra. Tudo era tão mais simples antes.
Agora está preso no jardim de lamentações onde costumava ir. Mas ia sempre em segredo, nunca quis que ninguém no mundo soubesse que reclamava de seus próprios defeitos que nunca soube aceitar ou mesmo conciliar com qualquer qualidade que possui. E todos sempre o esperam voltar. Não pode aceitar que o apogeu já foi há algum tempo, nem ao menos pode entender que, o que quer que faça, sempre tem consequências, boas ou más. Sempre tem. Tudo hoje é tão estranho e dolorido, mesmo as boas memórias o machucam, o derrubam para um penhasco que por anos tentou evitar chegar perto, não há recompensa nesta queda, apenas a solidão.
E ele ainda Espera reconhecer um momento pelo qual possa dizer que vale a pena dar um passo para trás. Talvez ali do lado no meio da multidão, quem sabe? Pode existir algo que reencontre, mas não se lembra. Tudo é tão vago, mas tão cheio, contraditório. Nada é vazio em sua mente perturbada por um passado de erros que não quis admitir. Talvez um futuro nublado seja a melhor opção, porque o que se vê agora não é nada animador. Mas não vai desistir ainda da ideia insensata de que possa se perder de novo... e dar um novo começo para tudo aquilo que nunca chegou a acabar...
Pedras no porão
Encontrou-se dentro do seu inconsciente perdido, mas não lembrava de nada, estava apenas tirando o pó da estante. Carregava pensamentos dentro do peito, mas estava quase explodindo, mal controla sua emoção.
A ansiedade vai acabar, parece tudo tão próximo da razão, quando o livro está no final...
Paredes manchadas pela indecisão. Pedras jogadas para o alto, rendição. Lajes quebradas, caindo aos poucos.
Corredores desertos, sujos pela multidão que um dia caminhou neles. Escadas escuras, até mesmo as sombras e o pó desapareceram. E o frio porão, não parece abandonado, lampejos de luz parecem habitar o lugar.
Enquanto na sala tudo ainda acaba no mesmo lugar.
Aquele navio ancorado, parece que ainda tem esperanças de um dia sair do lugar, ir além, apenas ir além. Quando se vê um avião em queda, tudo parece estar perdido, tudo parece ir contra a fé, torna-se saudade, melancolia, torna-se aquilo que lutamos o tempo todo para evitar.
O aeroporto ainda vazio, não há ninguém para viajar. As pessoas vão embora, simplesmente se vão.
E só ele viu o fim da história.
A ansiedade vai acabar, parece tudo tão próximo da razão, quando o livro está no final...
Paredes manchadas pela indecisão. Pedras jogadas para o alto, rendição. Lajes quebradas, caindo aos poucos.
Corredores desertos, sujos pela multidão que um dia caminhou neles. Escadas escuras, até mesmo as sombras e o pó desapareceram. E o frio porão, não parece abandonado, lampejos de luz parecem habitar o lugar.
Enquanto na sala tudo ainda acaba no mesmo lugar.
Aquele navio ancorado, parece que ainda tem esperanças de um dia sair do lugar, ir além, apenas ir além. Quando se vê um avião em queda, tudo parece estar perdido, tudo parece ir contra a fé, torna-se saudade, melancolia, torna-se aquilo que lutamos o tempo todo para evitar.
O aeroporto ainda vazio, não há ninguém para viajar. As pessoas vão embora, simplesmente se vão.
E só ele viu o fim da história.
Códigos do Caderno
Lágrimas de poeira escorrem pelo castiçal perdido debaixo da mesa quebrada daquele quarto abandonado. A escadaria coberta pelos véus queimados, distantes dos sonhos que foram guardados para eles, a escada, não tem um fim, mas esta quebrada e não vai a lugar algum. Não tem começo e nem fim.
Ventos castigam as grandes dunas, as montanha começam a ruir, uma a uma, elas caem. A cada grão da ampulheta, um pedaço da montanha cede. O mundo está vazio. Cercado pela solidão de uma população que não se conhece.
Toda a perplexidade inexplicavel da insensatez cede à fé cega dos lenhadores desempregados. A matilha faminta agora sobrevive de frutas. Tudo muda, tudo se perde. Dentro de cada mente.
E nada derruba as ondas naquela praia, elas carregam toda a angustia e esperança daqueles que acreditam em alguma coisa que não saibam o que é, mesmo que talvez não exista. Não vai além do poder da fé. Não vai além do questionamento.
Amargo regresso dos pesadelos que um dia se arrependeram por deixarem os dados selarem seu destino. Em vão. Aquela roda que escapou, os atropelou quando tentaram atravessar a rua fora da faixa. Hoje estão tão debilitados, quanto as mentes que um dia perturbaram.
Mostrou a força ao questionar o poder. Mediu seu poder com as rebeliões. Gavetas foram abertas para contar segredos. Portas foram trancadas. Luzes apagadas. Nada mais é como estava um dia na sua imaginação.
Onde o mundo um dia se perdeu em sua solidão. Onde o mundo um dia não viu o que passou. Onde um dia... o mundo...
Ventos castigam as grandes dunas, as montanha começam a ruir, uma a uma, elas caem. A cada grão da ampulheta, um pedaço da montanha cede. O mundo está vazio. Cercado pela solidão de uma população que não se conhece.
Toda a perplexidade inexplicavel da insensatez cede à fé cega dos lenhadores desempregados. A matilha faminta agora sobrevive de frutas. Tudo muda, tudo se perde. Dentro de cada mente.
E nada derruba as ondas naquela praia, elas carregam toda a angustia e esperança daqueles que acreditam em alguma coisa que não saibam o que é, mesmo que talvez não exista. Não vai além do poder da fé. Não vai além do questionamento.
Amargo regresso dos pesadelos que um dia se arrependeram por deixarem os dados selarem seu destino. Em vão. Aquela roda que escapou, os atropelou quando tentaram atravessar a rua fora da faixa. Hoje estão tão debilitados, quanto as mentes que um dia perturbaram.
Mostrou a força ao questionar o poder. Mediu seu poder com as rebeliões. Gavetas foram abertas para contar segredos. Portas foram trancadas. Luzes apagadas. Nada mais é como estava um dia na sua imaginação.
Onde o mundo um dia se perdeu em sua solidão. Onde o mundo um dia não viu o que passou. Onde um dia... o mundo...
Equilibrio
- Já estamos sentados aqui faz muito tempo e você ainda se remoendo de culpa??? Fala sério, vai...
-Acho que as coisas seriam diferentes, eu poderia ter agido de outra forma...
-É, poderia, mas não o fez, vai continuar sentado aí olhando para baixo até quando?
-Não sei, até eu conseguir entender, quem sabe?
-Papo furado, você não percebeu que seu tempo passou, você foi esquecido, você é a segunda opção.
-Talvez. E você também não se sente assim?
-Deveria?
-Não sei, não sei mais o que responder, antes eu achava que sabia as respostas...
-É, o tempo passou, você não é mais o mesmo, olha a sua volta, tudo mudou e você ainda fica aí choramingando, você já teve atitude, lembra?
-Sabe, é estranho ouvir algo assim, ainda mais de você...
-Que bom, agora vai querer ser superior, pelo menos sinto alguma reação.
-É... quem sabe...
-Começou de novo? Olha, já estamos aqui tem um tempo e você começou a desabafar só agora, nem sei mais o que é tempo de tanto tédio que sinto aqui.
-Você sempre soube que procuro calmaria e ainda assim me procurou. E ainda reclama?
-Sim, reclamo, é meu dever, vamos lá, levanta daí o mundo não vai para de girar, evoluir... e você pode fazer parte disso.
-Não sei se ainda vale a pena...
-É, então fica aí parado mesmo, fica olhando pra baixo, que legal, né... deve ser muita adrenalina...
-Você tem que ser sempre tão sarcástico?
-Você acharia que eu mudei se eu não fosse...
-Isso é...
-Vai, vamos, levanta daí e vamos dar uma volta, não custa nada. E você ainda pode se divertir.
-É... pode ser depois?
-Não, não pode, vamos agora.
-Então me diz uma coisa...
-Se você vier com a mesma ladainha eu vou embora.
-Mas é você quem vem me procurar, sempre.
-Ok, vamos deixar os detalhes de lado, pergunte.
-Por que? Eu preciso saber o por que...
-Eu sabia, nem sei há quanto tempo você tá nessa... me recuso a falar disso de novo.
-Mas você nunca quer responder, vamos, diga.
-Hum... tá... você realmente vai se levantar se eu disser?
-Acredito que sim, se você me convencer.
-Droga. Por isso que demoro pra te procurar, tá vendo, é sempre a mesma coisa, eu vou embora.
-Vai, faça como todo mundo já fez.
-Certo, você quer respostas? Quem diria, que justamente eu iria te responder isso, chega a ser cômico se não fosse trágico.
-Ainda estou esperando.
-A culpa é sua sim.
-Como?
-Ah, você queria o que? Depois de tudo que você fez, ainda tem gente que duvida de você, ok, faz muito tempo, talvez você ache que precisa provar alguma coisa de novo, sabe o que eu acho? Precisa de nada disso não, você é quem tem que se levantar e ver que tudo tá diferente desde aquela época, não são mais as mesmas pessoas, existem outras preocupações hoje, lembra que eu te falei de evoluir, pois bem, foi o que aconteceu. Só que você parou.
-Então é culpa minha, realmente não precisam de mim.
-Não disse isso... ahh dane-se, vou me arrepender disso depois, mas...
-Hum...
-Você teve forças para fazer tudo o que fez, você mostrou todos os caminhos, foi embora quando tinham aprendido tudo, você fez as escolhas assim como eu fiz.
-É, você foi embora, até você...
-Sim, mas eu tinha outros motivos.
-Eu sei. E agradeço.
-Olha aqui, vamos deixar de sentimentalismo, a gente tá aqui sentado olhando para a Terra, vemos como o mundo mudou, mas vai por mim, o mundo ainda acredita em você, ainda tem fé em você, existem ateus, é claro, mas ninguém pode obrigar ninguém a fazer o que não quer, ou acreditar em algo que tem duvidas, você me ensinou isso.
-Isso sim foi impressionante.
-Eu sei que você se sente desconfortável porque o mundo que você deixou, mudou e hoje em dia as coisas são totalmente diferentes, olha ali embaixo, teve muita revolução, teve evolução do ser humano, eles são diferentes, mas ainda são a sua própria imagem.
-Assim como você.
-Eu já disse, só escolhi outro caminho porque não acreditava em tudo e acho ainda isso aqui muito monótono.
-Você nunca gostou do Paraíso não é Lucio?
-Já passaram milhares de anos, já disse que é Lucifer.
-Eu sei, mas Lucio é um nome mais bonito.
-Ok, Jesus, agora você já está sorrindo e me fez relembrar da época que fiz parte disso, preciso ir embora antes que você me dê uma aureola de novo.
-Não, não faria isso, você, apesar de tudo tem razão, acima de tudo eu dei livre arbítrio para a humanidade, eles escolhem no que acreditar. E me sinto melhor mesmo, parece que ouço preces ainda.
-Ah é?
-Parece que alguém anda deixando a maldade de lado.
-Não começa.
-Não foi você?
-Você tem milhares de emissários lá embaixo, porque justo eu iria devolver a fé deles em você?
-Porque você, nunca perdeu a fé em mim, do contrário, não conversaríamos mais. Mas você sempre vem aqui e tenta me fazer acreditar na humanidade, me fazer ver que a fé em mim ainda existe, porque alguém que se diz tão mal faria isso?
-Não, não vou responder.
-Não precisa, eu sei a resposta, posso sentir em você. Apesar de tudo, você começou aqui, você não tem seguidores, então mantem a fé no Criador.
-Tá bom, eu tenho mesmo fé em você, mas não espalha... afetaria o nosso equilíbrio de "bem e mal", sabe...
-Eu sei que não é verdade, mas como você mesmo não querendo, me ajudou, vou manter em segredo.
-É, valeu. Agora já está melhor?
-Sim, acho que seria uma boa idéia aquela caminhada que você falou. Você me mostraria algumas coisas ali embaixo, eu não entendo essas coisas modernas, no meu tempo a evolução ainda era o metal.
-Ok, eu te mostro. Mas você paga o café.
-Mas quem ganha dinheiro é você. Aqui as pessoas entram de graça. Pelo comportamento.
-Tá bom, eu pago. Mas vamos assumir outras formas, imagina depois se nos veem juntos de novo, aí é outro diluvio.
-O diluvio não foi por isso, você sabe. E mesmo que você tenha nos deixado, você ainda consegue chegar até a mim... pessoalmente.
-É porque somos entidades, não uso crachá.
-Suas desculpas foram melhores Lucio.
-Já te disse que o nome agora é... ahh deixa pra lá, Lucio tá bom. Você vai descer assim com essa roupa?
-Você sabe que não ligo para coisas assim.
-Tudo bem, então vamos. Aí te apresento outra invenção da humanidade chamada vídeo game.
-Ahhh Lucio, meu anjo desertor, mesmo você tendo criado o inferno, ainda se porta como anjo quando vem ao Paraíso. E é muito bom ver que mesmo você que renegou tudo crê na humanidade, assim como eu eu, um dia as coisas serão diferentes, mas sempre vamos precisar desse equilibrio e sim, justamente você é uma das pessoas que mais tem fé em mim. Obrigado.
-Ahh eu... deixa pra lá, é bom ver que o Senhor voltou.
Não veja este texto como religioso, ou pense que quero convencer alguém sobre a existência de Deus e o Diabo. Não. É só um diálogo, inicialmente entre amigos baseado em cima do desenho chamado "God, Devil and Bob" e das músicas "Deus e o Diabo - Titãs" e "One of Us - Joan Osborne". Não tive por base a infinita luta de trevas contra luzes, mas uma visão de que são apenas duas pessoas cordiais que defendem seus mundos e a existencia do nosso. Cada um de nós tem sua própria fé e é livre para crer no que quiser, ter a religião que quiser. Todos temos nossas próprias crenças.
-Acho que as coisas seriam diferentes, eu poderia ter agido de outra forma...
-É, poderia, mas não o fez, vai continuar sentado aí olhando para baixo até quando?
-Não sei, até eu conseguir entender, quem sabe?
-Papo furado, você não percebeu que seu tempo passou, você foi esquecido, você é a segunda opção.
-Talvez. E você também não se sente assim?
-Deveria?
-Não sei, não sei mais o que responder, antes eu achava que sabia as respostas...
-É, o tempo passou, você não é mais o mesmo, olha a sua volta, tudo mudou e você ainda fica aí choramingando, você já teve atitude, lembra?
-Sabe, é estranho ouvir algo assim, ainda mais de você...
-Que bom, agora vai querer ser superior, pelo menos sinto alguma reação.
-É... quem sabe...
-Começou de novo? Olha, já estamos aqui tem um tempo e você começou a desabafar só agora, nem sei mais o que é tempo de tanto tédio que sinto aqui.
-Você sempre soube que procuro calmaria e ainda assim me procurou. E ainda reclama?
-Sim, reclamo, é meu dever, vamos lá, levanta daí o mundo não vai para de girar, evoluir... e você pode fazer parte disso.
-Não sei se ainda vale a pena...
-É, então fica aí parado mesmo, fica olhando pra baixo, que legal, né... deve ser muita adrenalina...
-Você tem que ser sempre tão sarcástico?
-Você acharia que eu mudei se eu não fosse...
-Isso é...
-Vai, vamos, levanta daí e vamos dar uma volta, não custa nada. E você ainda pode se divertir.
-É... pode ser depois?
-Não, não pode, vamos agora.
-Então me diz uma coisa...
-Se você vier com a mesma ladainha eu vou embora.
-Mas é você quem vem me procurar, sempre.
-Ok, vamos deixar os detalhes de lado, pergunte.
-Por que? Eu preciso saber o por que...
-Eu sabia, nem sei há quanto tempo você tá nessa... me recuso a falar disso de novo.
-Mas você nunca quer responder, vamos, diga.
-Hum... tá... você realmente vai se levantar se eu disser?
-Acredito que sim, se você me convencer.
-Droga. Por isso que demoro pra te procurar, tá vendo, é sempre a mesma coisa, eu vou embora.
-Vai, faça como todo mundo já fez.
-Certo, você quer respostas? Quem diria, que justamente eu iria te responder isso, chega a ser cômico se não fosse trágico.
-Ainda estou esperando.
-A culpa é sua sim.
-Como?
-Ah, você queria o que? Depois de tudo que você fez, ainda tem gente que duvida de você, ok, faz muito tempo, talvez você ache que precisa provar alguma coisa de novo, sabe o que eu acho? Precisa de nada disso não, você é quem tem que se levantar e ver que tudo tá diferente desde aquela época, não são mais as mesmas pessoas, existem outras preocupações hoje, lembra que eu te falei de evoluir, pois bem, foi o que aconteceu. Só que você parou.
-Então é culpa minha, realmente não precisam de mim.
-Não disse isso... ahh dane-se, vou me arrepender disso depois, mas...
-Hum...
-Você teve forças para fazer tudo o que fez, você mostrou todos os caminhos, foi embora quando tinham aprendido tudo, você fez as escolhas assim como eu fiz.
-É, você foi embora, até você...
-Sim, mas eu tinha outros motivos.
-Eu sei. E agradeço.
-Olha aqui, vamos deixar de sentimentalismo, a gente tá aqui sentado olhando para a Terra, vemos como o mundo mudou, mas vai por mim, o mundo ainda acredita em você, ainda tem fé em você, existem ateus, é claro, mas ninguém pode obrigar ninguém a fazer o que não quer, ou acreditar em algo que tem duvidas, você me ensinou isso.
-Isso sim foi impressionante.
-Eu sei que você se sente desconfortável porque o mundo que você deixou, mudou e hoje em dia as coisas são totalmente diferentes, olha ali embaixo, teve muita revolução, teve evolução do ser humano, eles são diferentes, mas ainda são a sua própria imagem.
-Assim como você.
-Eu já disse, só escolhi outro caminho porque não acreditava em tudo e acho ainda isso aqui muito monótono.
-Você nunca gostou do Paraíso não é Lucio?
-Já passaram milhares de anos, já disse que é Lucifer.
-Eu sei, mas Lucio é um nome mais bonito.
-Ok, Jesus, agora você já está sorrindo e me fez relembrar da época que fiz parte disso, preciso ir embora antes que você me dê uma aureola de novo.
-Não, não faria isso, você, apesar de tudo tem razão, acima de tudo eu dei livre arbítrio para a humanidade, eles escolhem no que acreditar. E me sinto melhor mesmo, parece que ouço preces ainda.
-Ah é?
-Parece que alguém anda deixando a maldade de lado.
-Não começa.
-Não foi você?
-Você tem milhares de emissários lá embaixo, porque justo eu iria devolver a fé deles em você?
-Porque você, nunca perdeu a fé em mim, do contrário, não conversaríamos mais. Mas você sempre vem aqui e tenta me fazer acreditar na humanidade, me fazer ver que a fé em mim ainda existe, porque alguém que se diz tão mal faria isso?
-Não, não vou responder.
-Não precisa, eu sei a resposta, posso sentir em você. Apesar de tudo, você começou aqui, você não tem seguidores, então mantem a fé no Criador.
-Tá bom, eu tenho mesmo fé em você, mas não espalha... afetaria o nosso equilíbrio de "bem e mal", sabe...
-Eu sei que não é verdade, mas como você mesmo não querendo, me ajudou, vou manter em segredo.
-É, valeu. Agora já está melhor?
-Sim, acho que seria uma boa idéia aquela caminhada que você falou. Você me mostraria algumas coisas ali embaixo, eu não entendo essas coisas modernas, no meu tempo a evolução ainda era o metal.
-Ok, eu te mostro. Mas você paga o café.
-Mas quem ganha dinheiro é você. Aqui as pessoas entram de graça. Pelo comportamento.
-Tá bom, eu pago. Mas vamos assumir outras formas, imagina depois se nos veem juntos de novo, aí é outro diluvio.
-O diluvio não foi por isso, você sabe. E mesmo que você tenha nos deixado, você ainda consegue chegar até a mim... pessoalmente.
-É porque somos entidades, não uso crachá.
-Suas desculpas foram melhores Lucio.
-Já te disse que o nome agora é... ahh deixa pra lá, Lucio tá bom. Você vai descer assim com essa roupa?
-Você sabe que não ligo para coisas assim.
-Tudo bem, então vamos. Aí te apresento outra invenção da humanidade chamada vídeo game.
-Ahhh Lucio, meu anjo desertor, mesmo você tendo criado o inferno, ainda se porta como anjo quando vem ao Paraíso. E é muito bom ver que mesmo você que renegou tudo crê na humanidade, assim como eu eu, um dia as coisas serão diferentes, mas sempre vamos precisar desse equilibrio e sim, justamente você é uma das pessoas que mais tem fé em mim. Obrigado.
-Ahh eu... deixa pra lá, é bom ver que o Senhor voltou.
Não veja este texto como religioso, ou pense que quero convencer alguém sobre a existência de Deus e o Diabo. Não. É só um diálogo, inicialmente entre amigos baseado em cima do desenho chamado "God, Devil and Bob" e das músicas "Deus e o Diabo - Titãs" e "One of Us - Joan Osborne". Não tive por base a infinita luta de trevas contra luzes, mas uma visão de que são apenas duas pessoas cordiais que defendem seus mundos e a existencia do nosso. Cada um de nós tem sua própria fé e é livre para crer no que quiser, ter a religião que quiser. Todos temos nossas próprias crenças.
Os Portões do Palácio
O Rei se levantou do trono para polir sua coroa. Ela é feita dos mais limpos papéis amassados, reluzente e cravejada pelos enfeites que pôde encontrar no caminho. Todo um reino a controlar, tão pouco tempo se tem, as horas passam tão veloz quanto os duelos entre cavaleiros. Ah, o que seria deste reino sem este Rei? Seus súditos apressam-se em poder ouvi-lo, a multidão espera por um breve momento em que possa vê-lo, mesmo que por meros segundos.
Do alto da mais alta torre, ele contempla todo seu império conquistado com muito suor. É digno de vastos pensamentos que parecem aumentar ainda mais todo o território já conquistado. Ele sorri. Seu reino é justo, não há guerra, ou fome. Trata as pessoas por igual, sejam simples aldeões, sejam bispos e condes. Há muito motivos para se orgulhar do que tem, mas há pouco tempo para se apreciar tanta beleza.
A masmorra é a mais alta torre do palácio, onde o Rei está preso. Ele pregou a igualdade, foi contrariado pelos nobres e decidido que seria trancafiado e seu parente mais próximo, um ambicioso conde, ficaria no poder, elevando as taxas e elitizando ainda mais o estilo de vida da nobreza. Ah como é injusto pensar que este mundo é que é o mundo real e que um Rei que poderia mudar o mundo, agora vive preso, drogado em seus devaneios, acreditando que tudo é como sempre quis que fosse.
O Rei não tem como fugir. As paredes são grossas. Barras de ferro na janela. Foi dado como morto. Poucos sabem quem vive na masmorra, ainda menos pessoas tem acesso a ela. Mas o rei vive feliz, ele sorri, suas gargalhadas são contagiantes. Ele ainda vive no seu mundo de igualdade, não percebe que está preso e só há muitos anos. Não percebe que perdeu sua razão, mas vê seu reino, ainda limpa sua coroa feita dos restos que encontrou naquela prisão, ainda encontra forças para sonhar e viver em seu mundo, em seu infinito particular, onde o cetro e o manto sagrado são de veludo e não de restos de roupas rasgados. Ainda é o mesmo Rei que sonhou com a igualdade, mas que o poder da nobreza o impediu de levar adiante um sonho onde a nobreza, clero e plebeus fossem realmente iguais. Pobre Rei. Viveu uma utopia, adormeceu e acordou encarcerado, até o fim de seus dias, e, nunca mais ouvi-se falar da igualdade entre as três classes. Pobre Rei que pereceu séculos atrás. Pobre de nós que nunca pudemos escutá-lo.
Do alto da mais alta torre, ele contempla todo seu império conquistado com muito suor. É digno de vastos pensamentos que parecem aumentar ainda mais todo o território já conquistado. Ele sorri. Seu reino é justo, não há guerra, ou fome. Trata as pessoas por igual, sejam simples aldeões, sejam bispos e condes. Há muito motivos para se orgulhar do que tem, mas há pouco tempo para se apreciar tanta beleza.
A masmorra é a mais alta torre do palácio, onde o Rei está preso. Ele pregou a igualdade, foi contrariado pelos nobres e decidido que seria trancafiado e seu parente mais próximo, um ambicioso conde, ficaria no poder, elevando as taxas e elitizando ainda mais o estilo de vida da nobreza. Ah como é injusto pensar que este mundo é que é o mundo real e que um Rei que poderia mudar o mundo, agora vive preso, drogado em seus devaneios, acreditando que tudo é como sempre quis que fosse.
O Rei não tem como fugir. As paredes são grossas. Barras de ferro na janela. Foi dado como morto. Poucos sabem quem vive na masmorra, ainda menos pessoas tem acesso a ela. Mas o rei vive feliz, ele sorri, suas gargalhadas são contagiantes. Ele ainda vive no seu mundo de igualdade, não percebe que está preso e só há muitos anos. Não percebe que perdeu sua razão, mas vê seu reino, ainda limpa sua coroa feita dos restos que encontrou naquela prisão, ainda encontra forças para sonhar e viver em seu mundo, em seu infinito particular, onde o cetro e o manto sagrado são de veludo e não de restos de roupas rasgados. Ainda é o mesmo Rei que sonhou com a igualdade, mas que o poder da nobreza o impediu de levar adiante um sonho onde a nobreza, clero e plebeus fossem realmente iguais. Pobre Rei. Viveu uma utopia, adormeceu e acordou encarcerado, até o fim de seus dias, e, nunca mais ouvi-se falar da igualdade entre as três classes. Pobre Rei que pereceu séculos atrás. Pobre de nós que nunca pudemos escutá-lo.
Roteiros
Há um momento em que se questiona a própria existência humana. Nem mesmo a teoria da evolução é mais capaz de explicar até onde podemos realmente chegar, se é que realmente chegaremos, nem ao menos estaremos lá para conferir essa evolução das espécies. Mas e se nada disso é real?
E se você que está lendo, na realidade nunca existiu, nem eu que escrevo estou realmente aqui... pode ser que tudo isso seja apenas imaginário, então nunca estivemos em qualquer lugar que acreditamos ter ido. A mente é poderosa, Nos envolve em tramas, nos leva a duvidar, nos faz acreditar. Mas você pode ter certeza do que realmente é real? E se ao abrir os olhos, apenas uma vaga lembrança de alguém escrevendo, outras pessoas que estavam lendo, pensando se realmente aconteceu, se aquilo tudo não passou de imaginação.
Podemos estar mais próximos do que realmente queremos. Assim como podemos, talvez nem existir nessa ou em qualquer outra realidade ou plano astral. O quanto o toque, o sabor pode ser uma sensação verdadeira, ou apenas o inconsciente imaginário dizendo que é isso que deve sentir? Ao fechar os olhos, você ouve a sua voz? Lembra-se com clareza do minuto anterior? Pode ter a certeza que aquele minuto que passou, existiu mesmo? Nunca teve tanta certeza de estar em duvida. O real que um dia imaginou, pode estar além. Além do momento que não se pode ver.
Toda essa conversa nunca existiu. Podem afirmar. Podem negar, ou questionar. Podem ir atrás das memórias frustradas de uma madrugada que não se tem certeza se o dia que passou foi real. Pode não saber se o que vai vir será mesmo verdadeiro. Mas afinal, quem é que quer saber o décimo passo, quando nem ao menos o primeiro é uma certeza? Entregue-se às suas duvidas. Questione a verdade, descubra onde ir de olhos vendados. A imaginação, pode ser tudo o que se tem. Você pode nunca ter existido e apenas imaginou que viveu, na imaginação de outra pessoa que também não tem certeza se um dia viveu de verdade, ou apenas dentro dos pensamentos de quem pensa no roteiro das vidas humanas.
E se você que está lendo, na realidade nunca existiu, nem eu que escrevo estou realmente aqui... pode ser que tudo isso seja apenas imaginário, então nunca estivemos em qualquer lugar que acreditamos ter ido. A mente é poderosa, Nos envolve em tramas, nos leva a duvidar, nos faz acreditar. Mas você pode ter certeza do que realmente é real? E se ao abrir os olhos, apenas uma vaga lembrança de alguém escrevendo, outras pessoas que estavam lendo, pensando se realmente aconteceu, se aquilo tudo não passou de imaginação.
Podemos estar mais próximos do que realmente queremos. Assim como podemos, talvez nem existir nessa ou em qualquer outra realidade ou plano astral. O quanto o toque, o sabor pode ser uma sensação verdadeira, ou apenas o inconsciente imaginário dizendo que é isso que deve sentir? Ao fechar os olhos, você ouve a sua voz? Lembra-se com clareza do minuto anterior? Pode ter a certeza que aquele minuto que passou, existiu mesmo? Nunca teve tanta certeza de estar em duvida. O real que um dia imaginou, pode estar além. Além do momento que não se pode ver.
Toda essa conversa nunca existiu. Podem afirmar. Podem negar, ou questionar. Podem ir atrás das memórias frustradas de uma madrugada que não se tem certeza se o dia que passou foi real. Pode não saber se o que vai vir será mesmo verdadeiro. Mas afinal, quem é que quer saber o décimo passo, quando nem ao menos o primeiro é uma certeza? Entregue-se às suas duvidas. Questione a verdade, descubra onde ir de olhos vendados. A imaginação, pode ser tudo o que se tem. Você pode nunca ter existido e apenas imaginou que viveu, na imaginação de outra pessoa que também não tem certeza se um dia viveu de verdade, ou apenas dentro dos pensamentos de quem pensa no roteiro das vidas humanas.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Vendedor de Sonhos
Em um pequeno vilarejo, distante das grandes capitais, o
homem mais poderoso da cidade é dono de três cavalos, duas vacas e tem um fusca
com mais de 20 anos. Um lugar que não conhece as novas tecnologias, não conhece
o poder da mídia, vive em um mundo só seu.
O prefeito da cidade comanda pouco menos de 200 pessoas.
Vivem até hoje sem eletricidade. Vivem felizes.
Um de seus habitantes curiosamente ganha a vida vendendo
frascos de sonhos. As pessoas compram e bebem o elixir mágico que os fazem ver
a vida de outra forma, alguns ao beber tem visões de grandes metrópoles,
assustadoras aos seus padrões de vida, outros se imaginam tão poderosos que
são donos do mundo. Este homem passa suas noites preparando seus frascos, e
durante o dia anda pela cidade vendendo sonhos, o momento mais aguardado depois
do almoço.
Todos consomem seus sonhos. Todos têm grandes sonhos e
ambições, mas não saem nunca da cidade. Eles têm o que precisam, vivem de sua
própria agricultura, de suas terras. Mas os sonhos os alimentam em outro nível
de realidade.
Há muitos anos esses sonhos são vendidos, ninguém sabe dizer
o que há dentro daquelas garrafas escuras que os deixam sonolentos e vêem a
vida de outra forma, mas é tudo que precisam para continuar felizes como vivem,
exatamente onde vivem.
Ele sempre espera todos almoçarem e então passa com sua
sacolinha, os sonhos são diversos, há de todos os tipos, e ele nunca voltou
para casa com um frasco cheio sequer.
A cidade raramente recebe turistas, são poucos os que saíram
para viver em outros lugares, mas quem saiu há muito tempo, nunca chegou a
conhecer o vendedor de sonhos. Mas a neta do prefeito estava voltando, ela
tinha se mudado para estudar fora, tentar trazer um pouco mais de conhecimento
ao lugar onde passou quase toda sua vida.
Quando retornou reencontrou velhos amigos, nada nunca mudou. Mas de
imediato soube do momento mais feliz da cidade, à hora pós almoço em que o
vendedor passava. Todos gostavam dele e conversavam por alguns minutos,
contavam de seus sonhos e ele os tinha dentro de sua sacola. A moça intrigada
com isso, não entendia porque as pessoas se entregavam a isso, poderia ser um
alucinógeno, ou uma forte droga viciante, coisas que aquele vilarejo nunca vira
antes, mas ela sim.
Conversou com seu avô e ele mesmo confirmou que todo o dia
compra um frasco de sonhos. Cada vez mais curiosa, ela que recém retornara ao
seu berço, tinha que ver aquilo, tinha que saber o que era. Quis saber quem era
a pessoa, o gosto que tinha beber um sonho.
E então, naquele dia, após o almoço ela o viu, lembrava-se
dele, claro, era um homem simples que cultivava uma pequena horta com vários
tipos de legumes, e vivia um pouco mais isolado que os demais habitantes, isso
a deixou completamente perplexa. Ela viu toda a cidade comprar os sonhos
líquidos e irem dormir felizes. Ela também bebeu, mas dormiu sem sonho algum,
ainda assim, preferiu apenas sorrir e dizer aos parentes que teve o melhor
sonho de sua vida ganhou sorrisos de volta como prova de que o vendedor
realmente deixava a cidade feliz.
No final daquela tarde, ela foi visitar o homem que vende
sonhos. Conversou com ele, ele garantiu que não eram drogas, tão pouco
alucinógenos que ele nem imaginava o que significava essa palavra. Mas ela não
estava satisfeita. Ela por ter vivido tanto tempo fora adquiriu uma
caracteristica incomum para aquele lugar. A desconfiança.
E as semanas que passaram ela continuava a beber os sonhos,
tirar o cochilo depois do almoço, mas ainda estava intrigada. Então resolveu
conversar de novo com o vendedor, ela tinha que saber o que era. Mas ele não
disse. A moça pensou até mesmo em levar um frasco para fora da cidade, pedir
uma analise para saber o que consumia e viciava aquela cidade, mas não achou
que seria certo fazer algo assim com aqueles sonhadores, mas por outro lado ela
descobriria a verdade, mesmo que magoasse sua família e amigos.
Só o que ela não esperava é que o vendedor de sonhos um dia
a convidasse para fazer os sonhos com ele. De prontidão ela aceitou e foi
encontrá-lo á noite, tudo o que ele pediu é que o que ela visse, nunca fosse
contado a ninguém, de modo algum, pois era aquilo que mantinha a cidade alegre
e feliz, por menos que eles todos tivessem. Ela concordou.
Foi quando viu que o "sonho", nada mais era do que
suco de graviola, uma fruta desconhecida da cidade, misturada com leite e
açúcar, ela ficou ainda mais perplexa, naquele momento, entendeu que o que ele
oferecia era apenas um simples suco, mas que os sonhos e ambições estavam
dentro de cada um daquele povoado que por medo de deixar a cidade, se deixava
levar pela ciesta, afinal, ele vendia depois do almoço porque sabia que as
pessoas já estavam cansadas e querendo descansar, então, só os incentiva a
sonhar.
Após saber isso, ela manteve sua promessa, viveu por mais alguns meses
lá e todos os dias ao cochilar depois do almoço tinha grandes sonhos.
Quando foi embora ela finalmente entendeu que o vendedor de sonhos, apenas deu um nome mais bonito a uma fruta que ninguém nunca ouvira falar, até porque, sonhos todos tem, seja qual for, mas experimentar algo novo, num lugar tão rudimentar, talvez não fosse bem aceito e com as palavras certas, as pessoas realmente sonhavam com o que falavam. Nunca houve drogas ou alucinações. Apenas sonhos adormecidos dentro de cada habitante daquela cidade. E assim continuará enquanto aquele homem tiver sementes de graviola para plantar.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Cegos
Carregaram a fé para longe, derramando-a do alto de um desfiladeiro, sobre árvores mortas, derrubaram os ideais quase extintos de uma civilização descrente. Já não há mais em que acreditar. A noite toda mudou. A noite, ainda levou para longe o que foi encontrado no dia que se perdeu... Resta tão pouco tempo para descobrir que já não há mais tempo há se perder. Para aquele povoado tão distante de tudo, nada pode ir além de onde seus punhos alcançam. Onde foi? Onde foram? Onde estamos indo? Não vou seguir adiante, ainda que me perca em cruzadas, não vou procurar mais a estaca no cálice de carbono...
Não quero viver deste lado, leve minhas crenças para longe, guarde minhas desconfianças, deixe-me acreditar que ainda existo, ainda que apenas nas palavras que você lê... fique e guarde a lua dentro do guarda chuva, deixe para trás a vitória que nunca virá, conquiste uma nova derrota, torne-a seu troféu, esqueça o que ficou ali adiante, não vai alcançar, ainda que possa correr, já está cansado de estar a frente, agora vá...
A luz não vai apagar, sempre vai estar lá, esperando, é onde te verei de novo...
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Horizonte
Naquela madrugada finalmente despertei de todos os invernos consequentes dos dias mal dormidos. Não me entreguei as ilusões dos tenebrosos amores insensatos, que me perseguiram fora dos meus sonhos quando decidi seguir vivendo. E sigo meus caminhos, sigo fora do meu mundo, caindo da muralha, bombardeando as nuvens tempestuosas que trazem os pesadelos inacabados que se expandem a cada olhar que se perde quando não encontra a esperança de um novo dia.
E, naquela manhã chuvosa, foi quando vi a luz entre as nuvens. Segui um instinto natural que queria apenas levantar e entrar na chuva. Não sei onde vi as pessoas estenderem as mãos, mas deixei pra depois, já sabia onde estava. Vivo partes de pesadelos dentro de sonhos inconscientes, quase embriagados, esperando serem tocados pela magia de um doce veneno que pudesse congelar aquele instante para sempre. Onde as luzes brilham ao relento, carregam o imaginário, despertam a realidade, buscando os relâmpagos que os despertariam para outros mundos, além de onde poderiam acordar.
E aquela tentativa de ir além, apaguei os rastros de onde passei, deixei as portas abertas nos quartos escuros, e, ainda assim era possível ouvir as lágrimas que tocam o ar sobre o teto coberto de um passado que nunca aconteceu... num mundo tão distante quanto todos os pensamentos um dia prometeram que eu chegaria. Lugares que só pude ver quando fechei os olhos e não mais abri. Naquele momento que enfim encontrei a paz, começando uma nova caminhada.
E, naquela manhã chuvosa, foi quando vi a luz entre as nuvens. Segui um instinto natural que queria apenas levantar e entrar na chuva. Não sei onde vi as pessoas estenderem as mãos, mas deixei pra depois, já sabia onde estava. Vivo partes de pesadelos dentro de sonhos inconscientes, quase embriagados, esperando serem tocados pela magia de um doce veneno que pudesse congelar aquele instante para sempre. Onde as luzes brilham ao relento, carregam o imaginário, despertam a realidade, buscando os relâmpagos que os despertariam para outros mundos, além de onde poderiam acordar.E aquela tentativa de ir além, apaguei os rastros de onde passei, deixei as portas abertas nos quartos escuros, e, ainda assim era possível ouvir as lágrimas que tocam o ar sobre o teto coberto de um passado que nunca aconteceu... num mundo tão distante quanto todos os pensamentos um dia prometeram que eu chegaria. Lugares que só pude ver quando fechei os olhos e não mais abri. Naquele momento que enfim encontrei a paz, começando uma nova caminhada.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
As Setas do Labirinto
Ele sonhou com aquela calorosa noite de inverno.
Lembrou dos dias nublados, as garrafas no chão.
Lembrou da campainha, esqueceu o telefone.
Deixou ferver a água até o vapor tocar as estrelas.
Viu o sol se esconder atrás das nuvens, contou as pedras no chão.
Sentiu pavor da amarga contradição metafórica que não encontrou.
Sentiu a alegria transbordar com a lembrança recuperada.
Viu na sua mente, um sorriso.
Na varanda, ouviu a rua sussurrar, por entre os muros.
Na varanda, ouviu o estalar das folhas caindo na parede da sala.
Viu a lembrança que se perdeu.
Ele acordou numa fia manhã de verão...
Esqueceu o sol, deixou as marcas da caminhada no teto...
Esqueceu o silêncio dos trovões, deixou a água transbordar dos sapatos...
Estendeu as mãos ao chão, olhou para cima...
Viu a imagem embaçada de uma memória que não consegue recuperar...
Viu a calçada de bronze sumir com a chuva de mármore...
Buscou o mais longinquo dia, viu o sorriso...
Da janela, viu as árvores derrubando as pedras...
Da janela, viu os gigantes prédios pedirem abrigo para as casas...
O sorriso era o que se lembrava...
Vai estar além das cruzadas desse labirinto mental;
Vai estar diante das frias chamas do inverno;
Esquecerá as pedras de areia que conquistou, derrubando todo o ouro da estante;
Esquecerá das marés, deixará os flocos de neve na lareira;
Sentado no quintal, não verá os meteoros cruzando os céus dentro da cozinha;
Sentado no quintal, deixará se levar pelo riso;
Pela lembrança de um sorriso... a melhor lembrança que guardou do dia que perdeu...
Lembrou dos dias nublados, as garrafas no chão.
Lembrou da campainha, esqueceu o telefone.
Deixou ferver a água até o vapor tocar as estrelas.
Viu o sol se esconder atrás das nuvens, contou as pedras no chão.
Sentiu pavor da amarga contradição metafórica que não encontrou.
Sentiu a alegria transbordar com a lembrança recuperada.
Viu na sua mente, um sorriso.
Na varanda, ouviu a rua sussurrar, por entre os muros.
Na varanda, ouviu o estalar das folhas caindo na parede da sala.
Viu a lembrança que se perdeu.
Ele acordou numa fia manhã de verão...
Esqueceu o sol, deixou as marcas da caminhada no teto...
Esqueceu o silêncio dos trovões, deixou a água transbordar dos sapatos...
Estendeu as mãos ao chão, olhou para cima...
Viu a imagem embaçada de uma memória que não consegue recuperar...
Viu a calçada de bronze sumir com a chuva de mármore...
Buscou o mais longinquo dia, viu o sorriso...
Da janela, viu as árvores derrubando as pedras...
Da janela, viu os gigantes prédios pedirem abrigo para as casas...
O sorriso era o que se lembrava...
Vai estar além das cruzadas desse labirinto mental;
Vai estar diante das frias chamas do inverno;
Esquecerá as pedras de areia que conquistou, derrubando todo o ouro da estante;
Esquecerá das marés, deixará os flocos de neve na lareira;
Sentado no quintal, não verá os meteoros cruzando os céus dentro da cozinha;
Sentado no quintal, deixará se levar pelo riso;
Pela lembrança de um sorriso... a melhor lembrança que guardou do dia que perdeu...
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Distantes
Afinal, o quão longe eles poderiam chegar? Perguntavam isso o tempo todo, mas nunca em voz alta. Tinham dúvidas de quem realmente se tornaram. Estranhos perfeitos, perdidos no horizonte. Eles acreditaram que podiam ir além, que poderiam brilhar, que as estrelhas eram apenas faíscas ofuscando momentaneamente a escuridão. Era onde queriam ir. Além do que poderiam esperar de seus destinos. Eles cairam várias vezes. Eles brigaram várias vezes. O mundo é seu palco. Tudo desmoronava quando eles caminhavam, o tempo parava quando corriam, o caos parecia perseguir suas escolhas. Toda tragédia é consequencia de uma escolha que deu errado em algum momento.Nunca mudam. As idéas seguem planos diferentes, opostos, mas em algum momento, um único erro e tudo desmorona, quando as paredesdo oasis começam a ruir, o oceano desperta suas lágrimas ao sol, que despeja sua escuridão despojada para eles e o ciclo começa novamente. Eles pairam quando pensam de verdade o quão longe poderiam mesmo chegar. Perfeitos estranhosnum paraíso de uma ilusão que não os levou a lugar nenhum. Eles acreditam que tudo está vindo contra eles, mas permaneceram lado a lado, só para dar mais uns passos e então descobrir o quão longe poderiam chegar. Os castelos sempre abrem os portões na mesma hora.
Quando a lua se despede das luzes ao redor, seu coração extravasa o impeto do amago amargurado, é quando eles decidem que está na hora. É hora de ver o quão longe podem chegar... a partir daqui, só falta mesmo, saberem quem são, não sabem nada um do outro, mas estiveram juntos até aqui, numa jornada que até então não sabiam se estavam juntos ou competindo, mas não importava, parecia estar no fim, parecia que eram mesmo estranhos presentes um para o outro. Rodeados do vazio, cercados de almas que não os levaram tão longe quanto queriam, mas sem nem ao menos saber quem são, eles se vão. Como já deveria ter sido, é o mais longe que poderiam ter ido. até aqui.
Indo Embora
Eles se levantaram. Foram embora, tudo o que restou foi a poeira dourada, reluzente nas trevas do pensamento perdido das catastrofes mentais, segue isolado das demais ondas cerebrais. Sentiam-se inúteis, uma perda do inverno sob a luz do outono. Abandonados a ponto de serem apagados de todas as memórias. Deixados ao fundo, escondidos de suas próprias lembranças. Assim seguiram por entre as frestas dos cadernos caídos, ainda sem marcas de lápis. Dias como hoje já não fazem mais parte daquilo que os trouxe até ali.

Muros foram erguidos, prédios foram derrubados. As árvores tomaram posse de tudo. As notas mentais foram esquecidas, e, tudo o que ele ainda resistia em querer, desistiu. Momentos de raiva o assombraram por dias. Dias de tormenta, dias de uma confusão complascente. E ainda assim, ele insistia seguir adiante, andando de costas, só para não ver o futuro que tanto teme. Deixou a coragem entre as moitas secas dos quadros quebrados. Deixou um lembrete em cima do teto de feno queimado, incendiado pela lembrança do mais frio verão que enfrentou.
Deixou-se levar pela insensatez de um pensamento que abandonou no bosque eletrônico. Caixas abriam microchips dentro do caule das flores. Não retornaram da longa avenida de mão única onde perderam os óculos do deserto. Deixaram aqui a coragem que um dia pensaram conquistar, mas não quiseram. Seguiram adiante, além, pararam por um instante, não sairam do lugar, não vão a lugar nenhum. Cegos pelas trevas do sol, deixaram-se irradiar pelos raios das sombras, temiam não ver mais quem se tornaram, ou pelo menos quem queriam ser realmente. E ali ficaram. Pensando em como poderia ter sido diferente "se", mas os quase não são uma realidade.

Muros foram erguidos, prédios foram derrubados. As árvores tomaram posse de tudo. As notas mentais foram esquecidas, e, tudo o que ele ainda resistia em querer, desistiu. Momentos de raiva o assombraram por dias. Dias de tormenta, dias de uma confusão complascente. E ainda assim, ele insistia seguir adiante, andando de costas, só para não ver o futuro que tanto teme. Deixou a coragem entre as moitas secas dos quadros quebrados. Deixou um lembrete em cima do teto de feno queimado, incendiado pela lembrança do mais frio verão que enfrentou.
Deixou-se levar pela insensatez de um pensamento que abandonou no bosque eletrônico. Caixas abriam microchips dentro do caule das flores. Não retornaram da longa avenida de mão única onde perderam os óculos do deserto. Deixaram aqui a coragem que um dia pensaram conquistar, mas não quiseram. Seguiram adiante, além, pararam por um instante, não sairam do lugar, não vão a lugar nenhum. Cegos pelas trevas do sol, deixaram-se irradiar pelos raios das sombras, temiam não ver mais quem se tornaram, ou pelo menos quem queriam ser realmente. E ali ficaram. Pensando em como poderia ter sido diferente "se", mas os quase não são uma realidade.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Just Another Day In...
Eu entrei em um labirinto que por ironia do destino, vejo que todos os caminhos levam apenas pra trás. E sei que não é o lado pelo qual devo seguir, já deixei caos demais por onde passei e jamais vi a ordem que tanto me disseram. Não me interesso pelo que passou. Não sei onde vou. São poucas as luzes. Mas talvez eu esteja atrás é das sombras e da solidão.Não vejo além dos meus punhos o que o destino nunca quis que eu pudesse descobrir. Mas depois de tanto ignorar isso, acho que ele desistiu de mim. Assim como eu dele. O destino e eu nunca nos demos muito bem mesmo. Mas afinal, quem disse que não era isso que eu queria? Poder ser livre até mesmo do caminho que um dia pensaram que eu seguiria.
Deixo aqui as marcas e cicatrizes dos dias que deixei para trás. Ainda carrego na mochila os dias que não quero nunca me esquecer. E para sempre na memória, aquele sorriso me tirou das minhas próprias trevas e me jogou para o alto, dizendo apenas para viver por mim mesmo. Deixar de pensar no que poderia estar perdendo e o que realmente estava conquistando. Simples assim.
Não são pelas escolhas que fiz, ou as que subjuguei. Mas sim a nova rota que criei a cada passo que dei sem ter a menor idéia de onde estava indo, ou porque estava indo. Não preciso mais de motivos, só quero saber que estou aqui. Livre arbítrio?? Talvez, livre escolha, novos rumos, talvez sem antigos princípios. Até onde posso chegar se joguei o mapa do acaso no cesto de recicláveis? Vou chegar tão longe que viverei um sonho de quem se perdeu e não tem interesse de saber onde está, ou onde vai acabar.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Inverno Presente
Deixei me levar pela imaginação até os longinquos moinhos de vento, passei pelas estranhas estátuas da Ilha de Páscoa, vi desertos soterrados tornarem-se florestas tropicais. Vi aquele velho trem percorrer um caminho longo sem trilhos, deixei de plantar os cata-ventos nas memórias do futuro. Vi aquela pilha de livros ironicamente deixados sob a sombras das árvores, esperando que um dia sejam novamente abertos em suas páginas não marcadas.
Quando a noite chegou as pilhas do controle remoto pifaram. Não podia mais fazer nada. Não queria mesmo fazer. Ir além, ir adiante, olhar os lados... por quê? Onde quer que esteja, onde que possa chegar, não vai me satisfazer por completo, mas o que pode completar essa satisfação? O que pode ser ir além? Quero apenas lembrar que posso ser esquecido e deixado de lado, talvez seja um pedido complexo numa sociedade que se preocupa em viver a vida alheia, mas é simples, não é nada demais.
Talvez algum dia lembre de colocar o lixo pra fora na hora certa, talvez com um pouco de sorte até me levante mais cedo sem razão nenhuma e siga todos os caminhos que já ignorei, deixando de lado as escolhas que um dia fiz, pensando apenas em não ser igual, mas segui por um lado inconstante e controverso que foge a minha própria realidade mostrando que toda a indiferença que cultivei não me levou tão distante daquilo que sempre evitei. Talvez por isso, não lembramos sempre do que acontece.
* agradecimentos à Nathalia que me deu esse final do texto. Obrigado!!!
Quando a noite chegou as pilhas do controle remoto pifaram. Não podia mais fazer nada. Não queria mesmo fazer. Ir além, ir adiante, olhar os lados... por quê? Onde quer que esteja, onde que possa chegar, não vai me satisfazer por completo, mas o que pode completar essa satisfação? O que pode ser ir além? Quero apenas lembrar que posso ser esquecido e deixado de lado, talvez seja um pedido complexo numa sociedade que se preocupa em viver a vida alheia, mas é simples, não é nada demais.Talvez algum dia lembre de colocar o lixo pra fora na hora certa, talvez com um pouco de sorte até me levante mais cedo sem razão nenhuma e siga todos os caminhos que já ignorei, deixando de lado as escolhas que um dia fiz, pensando apenas em não ser igual, mas segui por um lado inconstante e controverso que foge a minha própria realidade mostrando que toda a indiferença que cultivei não me levou tão distante daquilo que sempre evitei. Talvez por isso, não lembramos sempre do que acontece.
* agradecimentos à Nathalia que me deu esse final do texto. Obrigado!!!
sábado, 7 de abril de 2012
A Imensidão Refaz a Saudade
Hoje contemplo toda a insensatez que deixei debaixo dos carpetes pregados no teto da imaginação vespertina de uma criança. Deixo pra depois a nostalgia que ainda não veio daquele dia que nunca aconteceu. Queria me lembrar do dia de ontem. Não me lembro o que fiz até chegar aqui, ou por onde passei até desmaiar ali.Aqueles trovões vespertinos inspiraram trovadores e seus cantos. Os galhos que derrubam as folhas cantam sua música enquanto a neve tece seus dilemas sobre o triunfar dos raios de sol atravessando as janelas entre-abertas abandonadas no vilarejo do perdão. Entre os muros da derrota, esconde-se a desilusão inscrita no pergaminho há muito perdido daqueles que um dia deixaram-se levar por seus próprios desastres. Os temores correm por entre as frestas deixando seu rastro para serem encontrados pelos predadores. Eis que a linha temporal escorre pelos ralos no meio da parede deixando a sanidade monumental que fora desprezada.
O som daquele silêncio ensurdecedor que há pouco ouvi me fez voltar alguns passos adiante e olhar para o lado oposto de onde nunca estive enquanto caminhava. As pedras que caíram no céu seguiram adiante, fluindo pela imaginação do arco-íris que voltava do seu encontro com o sol sob a luz do luar. Ainda vejo as páginas marcadas do livro que deixei sobre os arbustos do parque naquele outono sob a escrivaninha de metal envelhecido por passar tanto tempo correndo em um futuro que não há memória.
Distúrbios comoventes ainda circulam pela cozinha do quintal daquele pintassilgo que um dia conheci quando me deixei levar pelo minuano até o espaço, quando perdi o folego ao me levantar em cima da lona daquele circo que nos deixou cair cachoeira abaixo quando a chuva parou e o gelo deixou de se esconder para encontrar por meros segundos, aquele paradoxo incontestavel que o levou para baixo das flores secas de verão.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Caleidoscopio sem Cores
Eu acordei de uma metáfora, correndo entre as mimeses que ficariam para trás. Vi aquele enxame de ditongos perecer diante da violência infindável das proparoxitonas que deixaram-se enganar por seu rei. Perderam seu castelo vogais, e eu, eu vi isso tudo. Na minha frente. Não sei se eu poderia fazer algo, ou se queria fazer, mas não fiz nada. Ante a indiferença artesanal daquele sarcasmo perdido, que se ergue ao encontro da ironia desprezível de um destino que se frustrou entre as paredes bélicas de uma metonímia.
Eu acreditei cegamente num olhar platônico que nunca pôde cumprir suas promessas dos natais passados. A areia escaldante presa na ampulheta que percorreu o mesmo caminho derrubou a antítese paralela de uma figura numa meta linguagem que nunca existiu. Os versos e as prosas se separam pelas retas, evitam todos os cálculos filosóficos, tentam redescobrir a química que perderam, mas eu não posso ajudar mais, já deixei para trás todos os logarítimos de uma vida dentro dos recipientes isotônicos naquela caverna de ilusões.
Não sei por onde vou. Ou onde posso encontrar a prudência amorosa de um hiato subindo cada vez mais alto em uma vertigem alucinante, que se perde no coração da prudencia ao bater de frente com a retórica daquele pleonasmo de silício. Nada mais será como as pessoas se lembram. Mas como ficará a minha mente no meio disso tudo? Uma complexa cacofonia dentro das paredes de cromo de uma elipse de zinco.
Agora sei onde deixei aquele paradoxo ambíguo. Tudo que é, vai deixar para trás. Como um escândio construído a partir de uma onomatopéia... vai ficar pelo caminho... ahh agora a ironia sorri feliz ao lado do sarcasmo...
Eu acreditei cegamente num olhar platônico que nunca pôde cumprir suas promessas dos natais passados. A areia escaldante presa na ampulheta que percorreu o mesmo caminho derrubou a antítese paralela de uma figura numa meta linguagem que nunca existiu. Os versos e as prosas se separam pelas retas, evitam todos os cálculos filosóficos, tentam redescobrir a química que perderam, mas eu não posso ajudar mais, já deixei para trás todos os logarítimos de uma vida dentro dos recipientes isotônicos naquela caverna de ilusões.Não sei por onde vou. Ou onde posso encontrar a prudência amorosa de um hiato subindo cada vez mais alto em uma vertigem alucinante, que se perde no coração da prudencia ao bater de frente com a retórica daquele pleonasmo de silício. Nada mais será como as pessoas se lembram. Mas como ficará a minha mente no meio disso tudo? Uma complexa cacofonia dentro das paredes de cromo de uma elipse de zinco.
Agora sei onde deixei aquele paradoxo ambíguo. Tudo que é, vai deixar para trás. Como um escândio construído a partir de uma onomatopéia... vai ficar pelo caminho... ahh agora a ironia sorri feliz ao lado do sarcasmo...
quarta-feira, 21 de março de 2012
O Moinho que Espalha os Sonhos
Eu não lembro quando foi a última vez em que disse boa noite.Parece tão simples, tão banal, mas pode ser uma coisa muito boa. Não só para quem ouve. Boa noite aos estranhos que ainda não conheço. Aos estranhos que já conheci. Boa noite mesmo para quem deixou de ser estranho. E mesmo aos que hoje tornaram-se estranhos.
Talvez eu deva dizer boa noite a mim mesmo e ir embora. Não sei até onde eu fui, se passei algum limite, se invadi algum território. Mas tudo parece tão embaralhado que todas as noites, mesmo sendo as mesmas ainda ficam mais confusas. O que eu perdi nesses dias? O que deixei de falar? Queria poder ver o que passou antes mesmo que eu fechasse os olhos.
Quem sabe isso tudo não seja apenas uma ilusão que criei para me proteger de algo que ainda não aconteceu. Não sei dizer por que essa noite é tão estranha e toda essa calmaria incomum me incomoda. Quem sabe seja apenas a hora de dar boa noite e esquecer o que não me lembro. Acho que errei em tentar me lembrar de tanta coisa que já não faz mais sentido algum. Se é que já fez.
Ainda me lembro daqueles moinhos de vento carregando ao longe e espelhando os pensamentos utópicos perdidos a léo. Como se não fossem nada, como se nunca tivessem pertencido a alguém. E nenhum desses pensamentos pára no tempo, eles seguem adiante, perdidos. Sonhos que deram adeus às pessoas, que um dia disseram boa noite antes de partirem. Todos partem um dia. Todos deixam algo para trás. Existem sacrifícios, existem sacrilégios, sempre existirá o perdão. Sempre há quem seja um narrador. E agora é hora de dizer boa noite apenas... até a volta...
segunda-feira, 12 de março de 2012
Invadindo o Infinito
Já fiz parte daquela multidão que segue sem rumo. Já entrei em tantos lugares que é difícil reconhecer quando mudam as cores das entradas. Mas eu caí. Não vi além dos passos que me guiaram. Me perdi consciente de que precisava fugir. Não era mais parte de mim, ou parte de você. E segui adiante pelas ruas escuras e desertas,
as mãos frias dentro do bolso da calça larga de barra rasgada por ser
maior que a perna. Aquele chão sujo e úmido daquela rua me fez andar ainda
mais depressa, querendo estar fora de lá. Queria estar em qualquer
lugar menos ali, mas foi inevitável. Agora resta a companhia das
luzes piscando, quase queimando.
Mas eu disse a mim mesmo que seguiria em frente e deixaria isso pra trás, mas antes de sair, preciso me lembrar que nunca consegui voltar e eu nunca vou desistir. E eu preciso seguir sozinho, pelo menos por enquanto. Preciso dar adeus a mim mesmo e pegar carona nesse minuano que anuncia sua chegada por aqui. Quem sabe confrontando uma luta que não seja minha, eu me lembre porque precisei ir embora.

Deixei tudo o que eu tinha guardado até que um dia eu volte, mas seria injusto te pedir que me esperasse. Então prefiro que tudo se perca para eu ter uma razão para voltar. Não sei dizer nada mais, mas vou redesenhar meu destino com as cores que perdi naquela tarde de outono que senti frio. Escrevi nomes e os guardei no bolso, para tentar lembrar se um dia eu encontrar este lugar de novo. Quero reescrever as páginas que deixei espaços.
Toda aquela dor está quase sumindo. Acho que aguentei tempo demais. Esperei algo que nunca ia acontecer, não porque não queria, mas porque não lutei contra. Mas eu sempre fiquei aqui. Sempre continuei a andar onde você pudesse me encontrar, mas nunca fui de novo aos lugares onde eu poderia te encontrar. Talvez eu apenas tenha evitado, sempre soube que não posso aprender com aquilo que nunca vi. Então só preciso de um momento, mais um, onde possa sentir que as coisas ao meu redor são reais, não tenho mais medo da dor, não temo a derrota. Mas esse tempo todo tão longe de te ver, vi que não fui eu quem mudou, apenas me afastei para sentir a ironia de estar distante daquilo que sempre quis. Mas talvez seja tarde demais. As imagens parecem tão distorcidas que mal consigo me recordar de como éramos de verdade. Mas quando você me procurar, ainda vou estar nos mesmos lugares, mesmo que não seja ao mesmo tempo que você me procure.
Assinar:
Postagens (Atom)


