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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Inverno Presente

Deixei me levar pela imaginação até os longinquos moinhos de vento, passei pelas estranhas estátuas da Ilha de Páscoa, vi desertos soterrados tornarem-se florestas tropicais. Vi aquele velho trem percorrer um caminho longo sem trilhos, deixei de plantar os cata-ventos nas memórias do futuro. Vi aquela pilha de livros ironicamente deixados sob a sombras das árvores, esperando que um dia sejam novamente abertos em suas páginas não marcadas.

Quando a noite chegou as pilhas do controle remoto pifaram. Não podia mais fazer nada. Não queria mesmo fazer. Ir além, ir adiante, olhar os lados... por quê? Onde quer que esteja, onde que possa chegar, não vai me satisfazer por completo, mas o que pode completar essa satisfação? O que pode ser ir além? Quero apenas lembrar que posso ser esquecido e deixado de lado, talvez seja um pedido complexo numa sociedade que se preocupa em viver a vida alheia, mas é simples, não é nada demais.

Talvez algum dia lembre de colocar o lixo pra fora na hora certa, talvez com um pouco de sorte até me levante mais cedo sem razão nenhuma e siga todos os caminhos que já ignorei, deixando de lado as escolhas que um dia fiz, pensando apenas em não ser igual, mas segui por um lado inconstante e controverso que foge a minha própria realidade mostrando que toda a indiferença que cultivei não me levou tão distante daquilo que sempre evitei. Talvez por isso, não lembramos sempre do que acontece.




* agradecimentos à Nathalia que me deu esse final do texto. Obrigado!!!

sábado, 7 de abril de 2012

A Imensidão Refaz a Saudade

Hoje contemplo toda a insensatez que deixei debaixo dos carpetes pregados no teto da imaginação vespertina de uma criança. Deixo pra depois a nostalgia que ainda não veio daquele dia que nunca aconteceu. Queria me lembrar do dia de ontem. Não me lembro o que fiz até chegar aqui, ou por onde passei até desmaiar ali.

Aqueles trovões vespertinos inspiraram trovadores e seus cantos. Os galhos que derrubam as folhas cantam sua música enquanto a neve tece seus dilemas sobre o triunfar dos raios de sol atravessando as janelas entre-abertas abandonadas no vilarejo do perdão. Entre os muros da derrota, esconde-se a desilusão inscrita no pergaminho há muito perdido daqueles que um dia deixaram-se levar por seus próprios desastres. Os temores correm por entre as frestas deixando seu rastro para serem encontrados pelos predadores. Eis que a linha temporal escorre pelos ralos no meio da parede deixando a sanidade monumental que fora desprezada.

O som daquele silêncio ensurdecedor que há pouco ouvi me fez voltar alguns passos adiante e olhar para o lado oposto de onde nunca estive enquanto caminhava. As pedras que caíram no céu seguiram adiante, fluindo pela imaginação do arco-íris que voltava do seu encontro com o sol sob a luz do luar. Ainda vejo as páginas marcadas do livro que deixei sobre os arbustos do parque naquele outono sob a escrivaninha de metal envelhecido por passar tanto tempo correndo em um futuro que não há memória.

Distúrbios comoventes ainda circulam pela cozinha do quintal daquele pintassilgo que um dia conheci quando me deixei levar pelo minuano até o espaço, quando perdi o folego ao me levantar em cima da lona daquele circo que nos deixou cair cachoeira abaixo quando a chuva parou e o gelo deixou de se esconder para encontrar por meros segundos, aquele paradoxo incontestavel que o levou para baixo das flores secas de verão.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Caleidoscopio sem Cores

Eu acordei de uma metáfora, correndo entre as mimeses que ficariam para trás. Vi aquele enxame de ditongos perecer diante da violência infindável das proparoxitonas que deixaram-se enganar por seu rei. Perderam seu castelo vogais, e eu, eu vi isso tudo. Na minha frente. Não sei se eu poderia fazer algo, ou se queria fazer, mas não fiz nada. Ante a indiferença artesanal daquele sarcasmo perdido, que se ergue ao encontro da ironia desprezível de um destino que se frustrou entre as paredes bélicas de uma metonímia.

Eu acreditei cegamente num olhar platônico que nunca pôde cumprir suas promessas dos natais passados. A areia escaldante presa na ampulheta que percorreu o mesmo caminho derrubou a antítese paralela de uma figura numa meta linguagem que nunca existiu. Os versos e as prosas se separam pelas retas, evitam todos os cálculos filosóficos, tentam redescobrir a química que perderam, mas eu não posso ajudar mais, já deixei para trás todos os logarítimos de uma vida dentro dos recipientes isotônicos naquela caverna de ilusões.

Não sei por onde vou. Ou onde posso encontrar a prudência amorosa de um hiato subindo cada vez mais alto em uma vertigem alucinante, que se perde no coração da prudencia ao bater de frente com a retórica daquele pleonasmo de silício. Nada mais será como as pessoas se lembram. Mas como ficará a minha mente no meio disso tudo? Uma complexa cacofonia dentro das paredes de cromo de uma elipse de zinco.

Agora sei onde deixei aquele paradoxo ambíguo. Tudo que é, vai deixar para trás. Como um escândio construído a partir de uma onomatopéia... vai ficar pelo caminho... ahh agora a ironia sorri feliz ao lado do sarcasmo...

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Moinho que Espalha os Sonhos

Eu não lembro quando foi a última vez em que disse boa noite.
Parece tão simples, tão banal, mas pode ser uma coisa muito boa. Não só para quem ouve. Boa noite aos estranhos que ainda não conheço. Aos estranhos que já conheci. Boa noite mesmo para quem deixou de ser estranho. E mesmo aos que hoje tornaram-se estranhos.

Talvez eu deva dizer boa noite a mim mesmo e ir embora. Não sei até onde eu fui, se passei algum limite, se invadi algum território. Mas tudo parece tão embaralhado que todas as noites, mesmo sendo as mesmas ainda ficam mais confusas. O que eu perdi nesses dias? O que deixei de falar? Queria poder ver o que passou antes mesmo que eu fechasse os olhos.

Quem sabe isso tudo não seja apenas uma ilusão que criei para me proteger de algo que ainda não aconteceu. Não sei dizer por que essa noite é tão estranha e toda essa calmaria incomum me incomoda. Quem sabe seja apenas a hora de dar boa noite e esquecer o que não me lembro. Acho que errei em tentar me lembrar de tanta coisa que já não faz mais sentido algum. Se é que já fez.

Ainda me lembro daqueles moinhos de vento carregando ao longe e espelhando os pensamentos utópicos perdidos a léo. Como se não fossem nada, como se nunca tivessem pertencido a alguém. E nenhum desses pensamentos pára no tempo, eles seguem adiante, perdidos. Sonhos que deram adeus às pessoas, que um dia disseram boa noite antes de partirem. Todos partem um dia. Todos deixam algo para trás. Existem sacrifícios, existem sacrilégios, sempre existirá o perdão. Sempre há quem seja um narrador. E agora é hora de dizer boa noite apenas... até a volta...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Invadindo o Infinito

Já fiz parte daquela multidão que segue sem rumo. Já entrei em tantos lugares que é difícil reconhecer quando mudam as cores das entradas. Mas eu caí. Não vi além dos passos que me guiaram. Me perdi consciente de que precisava fugir. Não era mais parte de mim, ou parte de você. E segui adiante pelas ruas escuras e desertas, as mãos frias dentro do bolso da calça larga de barra rasgada por ser maior que a perna. Aquele chão sujo e úmido daquela rua me fez andar ainda mais depressa, querendo estar fora de lá. Queria estar em qualquer lugar menos ali, mas foi inevitável. Agora resta a companhia das luzes piscando, quase queimando.

Mas eu disse a mim mesmo que seguiria em frente e deixaria isso pra trás, mas antes de sair, preciso me lembrar que nunca consegui voltar e eu nunca vou desistir. E eu preciso seguir sozinho, pelo menos por enquanto. Preciso dar adeus a mim mesmo e pegar carona nesse minuano que anuncia sua chegada por aqui. Quem sabe confrontando uma luta que não seja minha, eu me lembre porque precisei ir embora.


Deixei tudo o que eu tinha guardado até que um dia eu volte, mas seria injusto te pedir que me esperasse. Então prefiro que tudo se perca para eu ter uma razão para voltar. Não sei dizer nada mais, mas vou redesenhar meu destino com as cores que perdi naquela tarde de outono que senti frio. Escrevi nomes e os guardei no bolso, para tentar lembrar se um dia eu encontrar este lugar de novo. Quero reescrever as páginas que deixei espaços.

Toda aquela dor está quase sumindo. Acho que aguentei tempo demais. Esperei algo que nunca ia acontecer, não porque não queria, mas porque não lutei contra. Mas eu sempre fiquei aqui. Sempre continuei a andar onde você pudesse me encontrar, mas nunca fui de novo aos lugares onde eu poderia te encontrar. Talvez eu apenas tenha evitado, sempre soube que não posso aprender com aquilo que nunca vi. Então só preciso de um momento, mais um, onde possa sentir que as coisas ao meu redor são reais, não tenho mais medo da dor, não temo a derrota. Mas esse tempo todo tão longe de te ver, vi que não fui eu quem mudou, apenas me afastei para sentir a ironia de estar distante daquilo que sempre quis. Mas talvez seja tarde demais. As imagens parecem tão distorcidas que mal consigo me recordar de como éramos de verdade. Mas quando você me procurar, ainda vou estar nos mesmos lugares, mesmo que não seja ao mesmo tempo que você me procure.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sobre Perdas do Ego

Eu vi um nome sem face, ou talvez uma face sem nome.
Eu lembro da ilusão se perdendo no meio da multidão. Eu não vi mais nada que valesse a pena lembrar, ou que pelo menos faça valer o esforço da lembrança. Perdi a medalha, ganhei o jogo. Perdi o momento, esqueci da promessa que um dia fiz ao destino. Lembrei de tanta coisa, que nem lembro de mais motivos pra esquecer. Vai estar lá ao longe, ainda que não queira ir, ainda que já esteja partindo.

Ainda lembro que um dia vi uma sombra desfigurar-se entre as luzes da alvorada. Num mar de areia escaldante. Nenhum pensamento escapava da imensa névoa de tédio que ali se instalou. O tempo parece que não passa quando decido cair, posso rever tudo o que se foi e o que nunca quis. Mas ao me levantar, tudo é tão rápido que nem ao menos percebo que já estou de volta. Nem ao menos pude me despedir de velhos pensamentos e estranhas manias.

Não sei te dizer quando foi. Se foram aqueles vários rostos que passaram.
Aqueles poucos que ficaram. Todos ainda tem suas dúvidas. Parecia tudo tão simples. Era tão pouco complicado. Mas o que era para permanecer se foi. Acabaram as ilusões. E eu... sentei-me para ver o sol nascer de novo. Ainda acredito. Não sei em que, mas sei que talvez valha a pena. Por que não?

Eu vi um pesadelo deixar um rosto feliz. Vi um sonho abandonar um rosto triste.
Eu não sei porque. Só queria ver o que foi deixado de lado. Eu não consigo ver porque tem que ir. Eu só queria... mas talvez não seja este o caminho. Eu...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Caminhos Tortos

Um dia disseram que a ansiedade tem sabor de surpresa, mesmo sem saber onde, mas apenas um estalar de dedos e as nuvens dissipam. Como seria sentir o mundo parar por um segundo? E aqueles que souberem a verdade, ditam que suas certezas conduzem o mundo. Mas nada disso parece ter uma lógica ou um fim. Quem sabe se definitivamente seja realmente desse jeito, até que a poeira cubra tudo que perdemos, aquilo que antes estava a frente perde a certeza de que tudo era mesmo diferente daquilo que se vê agora.
O ciclo é continuo, um antigo vício da natureza que se corrói no meio das estrelas que surgem a cada segundo. Luzes ainda são ofuscadas no céu e as perguntas que já se tem a resposta, perdem-se num sonho. Encontram o dia que nunca foi perdido dentro da alternativa, num estalo. E um mero segundo é suficiente pra se ver tudo que passou até agora. Lembrando daquela esperança que o levou onde ficou confuso, apenas por deixar que ficasse. E nada que deixou pra trás chegará até aqui.

E a aquela voz era tão calma e fria, chegou lentamente e parecia que congelava o orgulho embaçando a mente. Ainda olha algo que não sabe explicar. O que realmente mudou? Se é que mudou, e o mundo ainda sempre surpreende, mas não quer ver o que não foi visto antes. Mas pode descobrir um algoz capaz de derrubar todas as surpresas deixadas pelo caminho, já pareciam tão certas que já não enxergava, mas não há nada inanimado. 

E todos os dias ainda é contrariado. Derrubou tudo o que nunca se perdeu. Caiu de braços abertos naquela nova rota ao ver que estava levando o que não foi deixado pra trás. Nunca se está perdido na própria solidão, e, toda história é um livro de páginas em branco. Escrita olhando sempre o que ainda está adiante. Quem sabe seja por isso que há pouco tempo pra descansar. E para isso só precisa fugir. Porque já está tudo tão perto que não se percebe mais.

Postais no Teto

Às vezes, procurando o que nunca precisou, passa correndo, ainda sem saber onde quer ir e olha pra trás, achando que se perdeu. As luzes nunca foram apagadas, mas as lâmpadas estão queimadas. Mas se toda escolha é feita por olhos cegos, onde estão os arrependimentos? Seguem adiante. Sempre, e, cada vez mais cegos. Dão de cara com portas fechadas e janelas escancaradas. Porque sempre há uma opção que surpreende a todo momento e faz acreditar ainda mais que muitas palavras são desnecessárias, e, tudo ao redor vai mudar.

Ainda quer ir onde não chegou, só pra ver o que ainda não alcançou. Viveu se questionando. Desistiu. Numa longa caminhada em silencio, não vê mais motivos para não descer de novo. Talvez o mundo não seja mais como era antes, talvez, seja hora de sentir isso. Não sabe como é o mundo fora do seu inconsciente que viveu isolado. 

Ao compasso do descaso corre ao redor dos mapas de uma finita imaginação. A limitação de um metodismo qualquer impõe as barreiras dentro de um visionário que se recusa ver o que há dentro da jaula. O mundo que antes via com certo explendor, agora se perdeu sem a magia que um dia pôde controlar ao deixar se esvair todo o tempo que jamais sentiu passar. Correu para ver quanto tempo ainda lhe resta, se é que vai fazer diferença. Se preocupa tanto com tempo perdido e esquece o que vem ao seu redor. Não para e nem olha o que perdeu, mas nunca teve forças para arrepender-se. Estendeu as mãos, tentou alcançar o que ainda estava longe faltava pouco e esse tão pouco parecia que estava ainda mais distante e já não podia mais ver.

Desistiu de voar além dos próprios pensamentos, testar os limites, crê que é melhor voltar, olhar pra trás, regredir uns meros degraus. Ninguém vai seguir seus passos. Ninguém vai entender o por que. Nunca vão deixar uma porta aberta perto de onde conseguiu entrar.



domingo, 15 de janeiro de 2012

Segredo Inviolável

Destroços de pensamentos alheios ainda ecoam pelo ar perdendo-se no meio das ruínas deixadas pelo vendaval parece que estão perto de se quebrar. Mas seus cacos não desaparecem com as ondas, sempre voltam ainda que remendados. Silêncio aqui e gritos ali. Porque não tem razão ou apenas, não precisamos ver a razão. 

E todos os dias não reconhecemos a multidão de rostos perdidos indo adiante,
querem um dia estar acima dos próprios pensamentos, indo além daquilo que acreditavam poder imaginar. Vamos olhar o horizonte de olhos vendados para  dizer ao mundo que não somos apenas o braço esquerdo, mas que podemos ser o lado direito. Vamos tocar a campainha das casas abandonadas e entrar pelas janelas, sair pelo quintal descendo, do telhado. Queremos estar mais perto do que podemos chegar e seguir além do nevoeiro, indo adiante olhando o ocaso, esperando chegar, enquanto a mesma melodia toca pelo mundo inteiro, uma trilha sonora do momento que não aconteceu. 

Não tem problema quando tudo está pra acabar. Vai mudar em breve, além do horizonte, vai além da imaginação impertinente, ousa passar pelos sonhos desmaiados e é além disso que quer, precisa ir. Se um dia perguntarem se prefire a dúvida, ou a verdade, saiba apenas que é melhor ter a incerteza imprevisível daquilo que menos se espera, que é bom poder ver que nada vai dar certo, ainda assim tenta virar o jogo e no meio do caminho, tudo muda de direção e de novo tudo uma incerteza, como sempre deve ser até chegar ao final, descobrindo tudo, mas não como se deve, nem como não se espera.

Cordões de Luz

Salão de espelhos quebrados, sem as luzes do teto não refletem um hífen perdido entre seus reflexos, diferentes e distantes. O vazio ao redor das imagens ecoa entre universos sem ruídos. Tão surreal e perto, mas tão longe. Tão verdadeiro e distante, cada vez mais próximo. Insensato e banal. Exatamente como imaginamos. Com toda a verdade que queríamos encontrar. Uma cinzenta nuvem dentro da ilusão corroendo os vermelhos campos que eram ali, agora a areia esvai entre os poros e a correnteza deixa os cacos espalhados na cidade do alto dos postes a luz cai... do alto dos sonhos ainda pode ver. E lá na frente o relógio corre pra chegar na hora.
Do mar sobem as estrelas, cegando olhos descobertos. Olhares que se perdem na mesma direção. Cegos. Completamente cegos pela reluzente estrela. Clareia a escuridão do deserto incendiando o lago dentro da floresta esperando o vendaval inconstante que nunca chega sob o olhar brilhante de quem nunca se perdeu em sonhos que entraram em coma numa estrada sem fim. Parece que não vai acabar o eclipse oportuno que une suas paixões incompreensíveis esperando um trovão perdido num dia de sol.

Eis que do limbo ergue-se o sonho utópico, perdido há tanto tempo, incontestável e irreal, agora parece tão simples que nada parece ser real. E quando olha no espelho perde o reflexo, mas enxerga as sombras ou seriam apenas imagens insensatas? O que há dentro daquela imagem que não se pode ver? As sombras continuam espalhadas, as imagens ainda estão perdidas. Nada além do que não se pode ver vai além da imaginação de onde quer chegar. E as sombras que levam o fardo dos destinos um dia imaginados sempre chegam antes e perdem-se dentro de seus reflexos. Então, por que ainda olha para dentro do espelho, quando as luzes mostram as setas para fora de suas mentes?

O Avesso da Certeza

Um único momento em várias distorções da mesma realidade e tudo que passou, ainda parece estar perdido, deixou um rastro de poeira pelas salas, quando ainda parecia estar tudo incerto. Mas ao levantar a cabeça, viu que tudo ficou diferente, não só o lugar, as cores, mas as pessoas que viu, todos deixaram as mascaras para trás e compraram novas ilusões.

Um lugar desconhecido e completamente indiferente. Parece exatamente como era antes, quando apenas um sorriso fazia sentido. Tudo estava quebrado, caindo sob as sombras da estante, deixando de lado o pensamento indeciso na luz que reflete o pó que tenta fugir de um lugar incomum onde nunca se encontra. Vive com a dúvida sobre o que nunca aconteceu. Nesse instante baixou a cabeça tentando recuperar o fôlego. Quanto tempo ainda não passou? As estrelas continuam a cair fugindo dos cometas que desaparecem nas desilusões.

Esperavam ainda que em vão, um dia que nada fizesse sentido em suas mentes, um dia que se perderiam em seus labirintos. O dia que perderam sob os holofotes. O dia que o diamante virou carvão quando caiu dentro do jarro d'água. Aquele estranho dia que a chuva de concreto se estilhaçava em lágrimas de vidro. E ao redor tudo continua desmoronando, escondendo a porta da entrada. Não há saída, não há mais uma pista onde possam ver o sol decolar e se perder na escuridão. Não há mais luta que possam perder.

Em algum lugar onde não vão estar, estarão tão longe... nem ao menos será o meio do caminho. Não vão voltar e nem se encontrarão aqui. Ainda vai levar um tempo e tudo vai ruir... como sempre foi. Onde nunca estiveram, onde se perderam quando se viram, mas sempre evitaram o acaso, até onde puderam...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dia Nublado

Correram pelo mar enquanto dormiam no deserto. Ainda perdidos em seu inconsciente, estendem as mãos acreditando que estão juntos ao menos em pensamentos. Esperam que um dia possam se ver de novo, porque evitam há tempo demais. Sempre olham as estrelas e através delas conseguem ver o sorriso através da luz mas não se deixam levar pelos sonhos. Mas tem certeza, não estão sozinhos.

E quando se encontram na multidão parece que o mundo todo fica em silêncio, ou talvez todos ao redor fossem só borrões, mas mesmo assim não dizem nada quando se vêem, apenas sorriem e se vão. Talvez não seja a hora ainda, porque mesmo sabendo que são exatamente quem procuram, eles precisam ir embora. Cada um pelo seu caminho, até o dia que alguém desista, até o dia que parem de lutar contra o que sentem. Contra o destino.

E vão se perder ao entardecer acreditando que tudo estava logo ali, que era só chegar e veriam tudo lá, como sempre acharam que estaria. A noite leva aos poucos o que ainda lhe pertence e o que deixou pra trás o que não importa e um pouco do que importa, nunca chegou até aqui, já tinha partido. E seguiram adiante de novo, mas se perderam outra vez. Mas quando estão de olhos fechados, ainda pode ver como se ainda estivessem lá, como se tudo ainda fosse real. Mas viram que as sombras não voltam a seguir, elas mudam o tempo todo não andam tão rápido. E sempre voltam pra lá. Onde sempre acabam se encontrando... onde tudo, começa pelo fim...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Arbusto na Lua

Perderam o caminho. Parecia que seria tão simples e a saída era tão distante. Mas confundiram os corredores, as portas pareciam tão similares que não se sabe mais onde entraram. Ainda assim, vim procurar vocês. Queria só dizer obrigado quando encontrar mais uma vez quem me mostrou as alternativas desse labirinto, era só fechar os olhos e podia ver onde estava indo.

Agora parece muito mais claro que não se deve caminhar só em todas as estradas. E aquele vento frio que trouxe vocês aqui, ainda parecia sorrir quando nos derrubou. E o acaso que um dia nos desafiou segue seu destino e ambos seguem em frente. Mas o acaso sempre se impõe ao destino quando lhe convém e ainda diz que não teme o calor da alvorada quando for chamada ao seu encontro. Tudo estava errado quando começou.

Um castelo com cartas marcadas já estava no chão antes mesmo que os gigantes de pedra assoprassem. As luzes vão se apagando como se quisessem ficar a sós com suas sombras de medo. As horas querem correr mais que os meses, querem ver logo que aguarda após cada final. Se realmente há o que mudar. Mas em todos os lugares há sim o que mudar. Há quem mude a forma como pensa, assim como também tem quem mude o coração. Mas isso talvez seja mais comum.

Descobre-se o que nunca quis, vê o que não enxergava, mas não sente aquilo que já esqueceu. E tudo parece tão perfeito e confuso que só quem não sabe é que entende. As estatuas parece que mudaram de lugar. Agora pode-se ver o que realmente acreditamos que esteja diferente. Talvez sejamos nós quem mudamos e ainda não percebemos. E todas aquelas nuvens que levam raios dourados em seus devaneios, trazem novamente uma fagulha de esperança aos olhos que derramou suas lágrimas em ilusões passadas.

Seria tão simples se os grãos de areia caíssem no mesmo lugar, deixando pistas, sinais, qualquer indício que diga apenas esta no começo. E as caixas vazias se encheriam de esperança. E tudo que faz sentido agora é saber que não acabou. Não vai acabar ainda. Mas quem sabe pólos iguais estejam em contato. Só então... pode ser, nunca se sabe...

Voltando ao Ninho

Toda guerra parece não ter fim. Ataques contantes, várias perdas. É muito mais fácil dificultar o que os aliados querem, e assim garantir que estejam lado a lado quando combaterem as ordas inimigas. Um momento. Nenhum suspiro, não se ouve nada. Mas toda a guerra já está perdida. Foi perdida antes que pudesse começar.

Mas repare, está tudo bem, como sempre esteve. Quem entrou nesse combate, entrou para ser desarmado e derrotado. Propositalmente. Assim como se encontram atualmente. A derrota era inevitável. Os termos para render-se parecem justos. Mas quem perde nunca aceita tão formalmente uma derrota, mesmo que quisesse isso. Mas ainda assim é capaz de sorrir. Pode ouvir seus comandados comemorando a derrota.  Era tudo o que queriam, era o que mais precisava acontecer.

Era o fim daquele reinado de tirania e solidão, que por tanto tempo assolou o reino com a escuridão. Um novo tempo começa dentro da verde floresta. Aquele sol dourado voltou a brilhar. Nada nunca é em vão, nunca foi. Uma batalha sem feridos, sem sangue, apenas vários esperando que apenas um tombasse. Não há derrota, há reconhecimento da necessidade de ser derrotado.

Um Ponto de Referencia

Às vezes, pensamos se é possível conseguir entender tudo o que acontece ao nosso redor. Há algum tempo tudo parecia tão claro que mesmo sob o véu da noite, ainda fazia algum sentido, mesmo que exista alguma lógica que deixávamos de acreditar. Essa mesma lógica que deixamos nos enganar. 

Talvez seja por aceitar que tudo estava bem escondido debaixo do temporal. Mas por quanto tempo vivemos nos enganando? Se isso faz bem, ou não, já não importa. Agora que passou, deixem pra trás esse sorriso que um dia levou o relento aos céus para não cair no esquecimento.
E era tão simples. Era tudo tão comum. Quem um dia disse que o tempo cura qualquer coisa, talvez nunca tenha tido tempo o suficiente para realmente deixar passar aquilo que o derrubou. Mas não há volta. Não há caminhos para ir adiante quando se está perdido.
Não há razão quando não se sabe o que perdeu e nem quando se perdeu. E tão pouco há tempo para reclamar. Todo momento é apenas um bom momento quando realmente acredita que há algo que valha a pena começar. E isso não é apenas para vocês, mas sim um lembrete de quem já esqueceu. Já desistimos tantas vezes que não faz diferença quantas vezes deixamos de terminar o que ainda nem começou. Mas não agora, não hoje. Não mais. Vamos enfrentar o que vier até cair. Vamos nos render quando vencermos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Abajur

E é sempre nestes estranhos dias quando o pó cobre toda a sujeira abandonada pela sala reluzente, é que percebe-se o pouco que resta de um mundo assolado por seu próprio desespero. Parece que tudo tem realmente um fim, mas nunca encontra um meio. E ainda assim, quando termina, outras coisas começam e da mesma forma, não se sabe onde parou o que, ou quando começou... 

Não existem meios. Mas então por que tudo precisa de uma explicação? As luzes que piscam sobre a mesa não querem saber porque o aquário  quebrado ainda tem água. Como um surto momentâneo de tudo que pode-se perder quando enfrenta a avalanche de egos com medo de saber sua história.

Muitas vezes a lógica não encontra nenhum sentido. Mas não se vê as gavetas caindo sobre as revistas velhas por mero acaso. O ruído das penas rachando o concreto é o meio termo de nada, com sentido nenhum. O acaso anda deixando o destino para trás. A largada nunca acontece na corrida que não termina. E eles não querem nada além disso...

Então... vão todos aproveitar o tempo que ainda há destes dias. Esperar que o controle remoto perca as pilhas para voltar a funcionar debaixo da chuva de cactos ilusão que a culpa criou. Por aquilo que os quadros ainda esperam poder ver, que seja imprevisível e insensato a ponto que se torne inesquecível, memorável e despojado de qualquer lembrança que deva um dia ser esquecida e emoldurada...

É só o que olham. Os postem continuam a cair, a cada luz que acende. Agora e daqui pra frente, devem seguir seu brilho nas antenas de TV, sem poder ir muito além dos escombros de um dia atormentado por um inquieto cachecol jogado por uma suave brisa da manhã. Sem saber o que esperar. Do contrário, tudo pode perder a graça.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ecos Perdidos

Acordes ecoam dentro das mentes perdidas, parece conhecido, mas nada lembra... e num corredor lotado, milhares de pensamentos caminham juntos e ao mesmo tempo se separam em várias salas, saindo pelas janelas, assim tudo voa ao longe...

Um vendaval indica a direção que ninguém segue. Todos estão parados. Observam o estranho que caminha só. Ninguém sorri, ninguém olha diretamente para ele. Tão vago, tão distante e estranhamente, tão... comum? Parece cada vez mais que a solidão tem sido a opção mais escolhida pelo mundo. Mesmo quando se vê um grupo grande, se vê a solidão.

Ecoam suspiros dentro da sala vazia e tudo pára. Por um momento nada parece sair do lugar... nada é tão real quanto um sonho solitário. O mundo parece fechar as portas, trancar as janelas. E ainda assim ninguém mais está lá... tudo é deixado de lado, para depois.

Abram os olhos... durmam quando a realidade os alcançar. Deixem as luzes ofuscarem as lentes escuras. Quando pisarem novamente sobre a grama úmida, corram. Porque sempre há escolhas. Sempre haverá uma saída... uma fresta...
basta olhar, basta saber a hora... não deixem escapar o que ainda não aconteceu... não deixem de sonhar quando acordarem...